Silêncios e gritos do meu corpo-sentido:
o que fica retido nos abortamentos e lutos na pós-graduação?
DOI:
https://doi.org/10.21713/rbpg.v42.2535Palavras-chave:
luto, autoetnografia, Educação Superior, yoga, fronteirasResumo
Este trabalho busca delinear novos olhares e sentidos sobre a experiência silenciosa de abortamentos retidos e lutos, (re)vividos na pós-graduação durante a pandemia da covid-19, de modo a ampliar fronteiras e contar afetações que atravessaram/atravessam meu corpo e tantos outros. A partir de um cenário de incertezas e tensões, a autora pode (re)viver lutos encruados nas entranhas. Lutos que puderam emergir pelo contato com a certeza da morte ou a fragilidade da vida que a pandemia nos obrigou a pensar. Por meio do exercício de uma escrita autoetnográfica performática, escutei minhas dores que puderam ser acolhidas pelos conhecimentos (in)corporados do yoga, potencializando questionamentos sobre a hegemonia da vivência silenciosa ou naturalizada das perdas. Estes silêncios e gritos representam marcas de um corpo sentido, cheio de sinais. Sinais que possibilitaram questionamentos sobre os silenciamentos dos corpos, as experiências que manifestam disputas de poder e os desafios de se efetivar a justiça social. As experiências pessoais da autora, contribuem/contribuíram com um desvelar de aspectos da vida cotidiana sociopolítica-cultural, partindo do pessoal para o político, borrando fronteiras com outras histórias, com a possibilidade de ampliação das experiências e possíveis deslocamentos do poder hegemônico a partir da vocalização de silêncios e gritos.
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